rascunho mutum contra usina

MUTUM CONTRA USINA

A ideia de Mutum contra Usina nasceu da nossa indignação, indefesa como estão os animais silvestres, à mercê da exploração irresponsável e destrutiva dos magnatas do etanol de Alagoas no Cerrado Mineiro. Quando chegamos aqui, duas décadas atrás, o cenário era completamente diferente. Pelo tanto que destruíram nesses poucos anos, a certeza que temos é que, em mais duas décadas, não haverá mais nada.

A usina usa estratégia especificamente aplicada pra retirar os moradores da área. A cada dia, pela desventura das atividades rurais, eles têm moradores a seus pés, vendendo suas terras. Quando compram, a primeira coisa ação é a destruição da sede, casas de morada, árvores frutíferas e quaisquer instalações que possibilite a habitação em área rural.

Mesmo quando não compram, diariamente, enterram árvores, geralmente, à noite. A gente percebe, num piscar de olhos, que aquela árvore centenária, que marcava a história de tantas famílias, não existe mais. Isso se repete todo dia. E a denúncia não faz efeito, dizemos isso, porque nós já denunciamos várias vezes, no ato da cavação dos buracos, e a polícia florestal não atende ao chamado.

São matadores de história. Eles fazem questão de que sejam destruídas as casas, monjolos, paióis e currais, mesmo aqueles feitos em madeira de lei, do século retrasado. Isso torna a vida no cerrado mais triste e alienada, sem beleza natural, sem abundância, fatores que mais atraem a quem gosta da área rural. Já existe muito pouco, mas em breve não haverá mais nada. Então, o território será só deles.

A Vila Barroló assumiu esta voz, e anuncia isso abertamente, já que os nativos vivem enganados com os ‘benefícios’ anunciados à economia da região. Iludidos com o farol do chamado desenvolvimentismo, dominados pela imposição do consumo, pressionados a empurrarem seus filhos ao sistema econômico, não ousam enfrentar a pressão da Usina.

Convidamos a você, que perceba a gravidade do caso, a participar com a gente dessa luta. Nossa luta é pela conservação do ambiente onde vivemos, cientes de que viemos pra ficar. Defendemos que leis federais, estaduais e municipais devem ser criadas pra regulamentar o plantio da cana. Sabemos que isso acontecerá, mas a preocupação é que não demore dada a urgência do caso.

Parabenizamos a todos os moradores do Cerrado Mineiro, e os vemos como vítimas de um sistema de convencimento massificador. Nosso discurso é no sentido de que valorizem o que têm, enquanto é tempo, e que se reconstrua a história rural. Abraço forte a todos.