A VASSOURA QUE VARRE

No meio da noite, de um salto: eh, vassoura que varre!… O que varreria? O que pediria? Voz, viola e biruta. A dança do vento, que males espante… Alimpe-se a viola, afine-se no tempo, o futuro e a rima, a soma do presente com o passado, o abaixo-assinado e a travessia, o catarse e o despasse. O que é boa-morte? O que é boa sorte? Ah, isso é tudo que eu queria…

Eh, vassoura que varre! Não me varra da terra, se na janela, berra uma geringonça… que se mate essa onça, no dia da luta, a busca do sonho. Pela volta do dia, no rio da alegria, a roupa e a fantasia do pirata romântico: o rei da euforia, o utópico e fóbico de que já fosse tarde pra ser feliz. Ah, isso é tudo o que eu temia…

Eh, vassoura que varre! Não me varra a aquarela, luz amarela, que veio do norte. Esse é o passaporte, é o trevo da sorte: pão com mortadela na frente da tela, namorando a moça, linda cinderela de azul nos olhos e carne macia, túttis e frútis, na roda da sala de televisão. Ah, isso é tudo que eu podia…


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O MUNDO BARROLÓ
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