SERTÃO COR DE ROSA

Salomão andara conversando com esse mineiro, tal ‎Rosa, contador de ‎histórias do sertão lá de Cordisburgo. E falamos sobre que esse ‎homem estivera ‎ocioso por muito tempo, empoeirando na estante, e que nos daria um bom vendedor de artesanato. Isto seria uma boa estratégia de ‎mercado, dar um tom de Rosa ao trabalho que fazemos com ‎‎barro e outras matérias. Aqui no barroló, alguns mais outros menos, todos temos o agreste nas veias. Bom que já tenha morrido, afinal, mortos sempre dão bons vendedores. ‎Salomão e Ana Rocha manteriam essa conversa, de onde tirariam temas sobre quais eu ‎criaria ‎desenhos, textos e objetos utilitários e decorativos.

Esse é um processo cotidiano, pelo modo como o entusiasmo com o trabalho acontece aqui no barroló. Do pequeno ao grande, todos já sabem que dinheiro é como cobra no saco, se abrir (porque é preciso), arme-se de cuidado necessário. Essas ideias são resultado de muita pendenga, quase todo dia, alguém desossando a alma. Porque o tal sucesso na vida vem se fazendo na cabeça que se entende por gente, e são conceitos quais a gente nem se atina que estão bem pregados na cabeça. Quando se dá conta disso, é preciso muito querer pra se livrar. Desde 1986 a família vive uma vida simples, mas somente do que faz de barro.

Aproveitando essa benquerença, meti uma ‎biografia do barroló no meio disso, pensando em aproveitar um texto que já havia começado, tirado a cordel sem ser, tal Bafo de Pimenta. De fato, eu já andava enfiado nisso a algum tempo, e não deslanchava. Já sentia certa inquietação com isso. Além do mais, esse novo projeto era bom pretexto pra continuar escrevendo, embora tenha preferido omitir nessa conversa.


barrolo.com

O MUNDO BARROLÓ
A GALINHA DE OVOS DE BARRO
ARTESANATO NÃO TEM RELÓGIO
A VASSOURA QUE VARRE
O SERTÃO COR DE ROSA
O MUTUM CONTRA A USINA