MUTUM CONTRA USINA

Eu ri do mutum. No meio da madrugada, máquina no embornal, ele e o Calça, foram pro mato, topar com a máquina da usina. Na cidade amarela, ouviu-se pela rede, o susto dos bichos era essa energia de lutar pelo que já é dado por perdido. Apesar disso, a gente se diverte, porque a vida é maior que tudo. Ele, indignado (e preocupado), cuspia marimbondo. Mais engraçado foi comentar a emoção do evento.

Eu chorei com mutum. Quando vi as fotos que tirou, enquanto os guardas reclamavam do brilho da luz clareando a chacina. Aquelas árvores eram residências de milhares, referência geográfica de muitas histórias. O que a usina vem fazendo no nosso cerrado, é estupro de anciãs. São bandidos de colarinho. Nesse dia, o fizeram enquanto o garimpo pulava carnaval. O ladrão sempre sabe sua melhor hora.

Eu apoiei o mutum. Não consegui dormir, depois que sairam, fiquei esperando por eles, preocupado, que essa gente é perigosa… Lembrei de Chico Mendes, e das vidas secas de Graciliano, ao mesmo tempo, vendo aquele ermo. Muita gente lembrou, de certo… aquilo era um hino de sobre os cadáveres das histórias do cerrado. E o sangue, na foto, eles enterram todo dia. Mas é brigar com cachorro grande.

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O MUNDO BARROLÓ
A GALINHA DE OVOS DE BARRO
ARTESANATO NÃO TEM RELÓGIO
A VASSOURA QUE VARRE
O SERTÃO COR DE ROSA
O MUTUM CONTRA A USINA
AS MINHAS NORDESTAIS